Parte do projeto “Para segurar o céu”, material foi desenvolvido para apoiar atividades de formação em movimentos sociais, assentamentos rurais, comunidades quilombolas e grupos da agricultura familiar
A série “Para segurar o céu” foi produzida por O Joio e O Trigo para valorizar o conhecimento e o fazer de camponesas e integrantes de povos e comunidades tradicionais como uma resposta central à crise climática. O nome da série alude ao clássico A queda do céu, do escritor e líder político Davi Kopenawa Yanomami.
O Joio e O Trigo lança a cartilha Raízes que resistem: saberes e sementes das mulheres contra o cerco do agronegócio, o material desenvolvido para apoiar processos formativos em assentamentos rurais, comunidades quilombolas e grupos da agricultura familiar, com foco especial naqueles liderados por mulheres. A publicação foi pensada como uma ferramenta para rodas de conversa, encontros formativos e outras atividades conduzidas pelas próprias comunidades em seus territórios.
O material discute como o avanço do agronegócio afeta a terra, a água, a biodiversidade, a produção de alimentos e os modos de vida de povos e comunidades tradicionais. Ao mesmo tempo, apresenta práticas de cuidado, organização e resistência construídas pelas mulheres como soluções para a crise social e climática.
O conteúdo parte de conhecimentos reunidos em reportagens e episódios do Prato Cheio, podcast produzido pelo Joio, e de contribuições coletadas pelo Núcleo Prosa, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio de um questionário respondido por trabalhadoras e trabalhadores da agricultura familiar e integrantes de comunidades de base. Entre as experiências que orientam o material estão as das agricultoras da Rede Agroecológica de Mulheres Agricultoras (Rama), no Vale do Ribeira, em São Paulo, e das mulheres indígenas guardiãs da mandioca e das manivas no rio Negro, no Amazonas.
A publicação busca registrar essas práticas, mostrando como essas mulheres formam sistemas complexos de produção e reprodução da vida. Elas preservam sementes, cultivam diferentes espécies, compartilham conhecimentos, organizam redes de comercialização, cuidam da terra e criam espaços comunitários de acolhimento. Com isso, contribuem para fortalecer a autonomia econômica, a biodiversidade e os vínculos dentro de seus territórios.
A cartilha é organizada em três partes. A primeira apresenta uma análise crítica dos impactos do agronegócio, como o estrangulamento territorial, a dependência de sementes e insumos comerciais e a contaminação provocada pelos agrotóxicos. A segunda aborda as soluções situadas e sistêmicas já desenvolvidas pelas comunidades, com destaque para a agroecologia, a conservação da diversidade e as redes de cuidado e cooperação. A última reúne perguntas e propostas de atividades para estimular a reflexão coletiva sobre cada território.
A narrativa é conduzida por Roseli, personagem ficcional que representa as mulheres guardiãs de conhecimentos construídos e transmitidos ao longo de gerações. “Este material é um convite. Um convite para olharmos juntas para a nossa terra, para a nossa roça e para o nosso modo de viver”, anuncia a personagem no início da publicação.
A cartilha faz parte do projeto Para segurar o céu, série de reportagens do Joio que investiga e mapeia iniciativas produtivas e modos de vida de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, comunidades tradicionais e camponesas. O projeto mostra que essas experiências devem ser tratadas como soluções sistêmicas, que precisam ocupar um lugar central nas políticas públicas e nas respostas à crise climática.
O material está disponível gratuitamente para atividades de formação. Para baixar a cartilha, clique no botão abaixo.
