Joio e ACT promovem oficina para jornalistas e estudantes sobre investigação da indústria do tabaco

Atividade online discutirá lobby, novos produtos de nicotina, contrabando e estratégias corporativas; duas pautas inscritas por participantes serão selecionadas para receber microbolsas de R$ 10 mil cada

O Joio e O Trigo e a ACT Promoção da Saúde promovem, no dia 7 de julho, a oficina Além do cigarro: Por que ainda investigar a indústria do tabaco?, voltada a jornalistas e estudantes de jornalismo interessados em aprofundar a cobertura sobre tabaco, nicotina, saúde pública, comércio ilícito e influência corporativa. A atividade será online, das 9h às 12h, e terá participação mediante inscrição e seleção.

Além da formação, o Joio e a ACT vão oferecer duas microbolsas de R$ 10 mil cada para apoiar investigações jornalísticas sobre tabaco. As bolsas serão destinadas a duas pautas selecionadas entre as propostas inscritas por jornalistas participantes da oficina.

Durante décadas, a indústria do tabaco esteve entre os principais alvos do jornalismo investigativo, com reportagens que contribuíram para revelar estratégias corporativas, fomentar regulações e apoiar políticas públicas voltadas à redução da prevalência do tabagismo. Em diversos países, o consumo de cigarros caiu de forma significativa. Mas isso não significa que o setor tenha perdido relevância.

A expansão de produtos como vapes, sachês de nicotina e tabaco aquecido, as novas estratégias de comunicação das empresas, o lobby contra políticas e o debate sobre contrabando mostram que a indústria segue atuando para moldar o futuro dos mercados de tabaco e nicotina.

A oficina vai discutir por que empresas do setor continuam sendo atores centrais em debates sobre saúde pública, regulação, comércio internacional e estratégias corporativas. A partir de casos recentes no Brasil e no exterior, os participantes conhecerão algumas das principais narrativas mobilizadas pela indústria, os desafios impostos pelos mercados ilícitos e as transformações em curso em um setor que busca se reinventar sem abandonar suas fontes tradicionais de lucro.

“Investigar a indústria do tabaco hoje exige olhar para muito além das empresas. É preciso acompanhar redes de influência, organizações parceiras, campanhas de comunicação e estratégias que buscam moldar debates regulatórios e a percepção pública. A oficina é uma oportunidade para compartilhar técnicas de investigação que ajudam jornalistas a identificar esses movimentos e a compreender como interesses privados atuam nos bastidores de decisões que afetam a saúde pública”, afirma Anelize Moreira, jornalista de monitoramento da indústria do tabaco da ACT Promoção da Saúde.

A programação reunirá pesquisadores, especialistas em controle do tabaco e jornalistas. 

  • Tom Gatehouse, pesquisador da Universidade de Bath, apresentará uma perspectiva regional e global sobre o mercado legal, destacando que a venda de cigarros continua sendo altamente lucrativa para as empresas de tabaco e segue evoluindo em diferentes mercados. 
  • Rodrigo Feijó, do Secretariado da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), abordará o Protocolo para Eliminar o Comércio Ilícito de Produtos de Tabaco, os desafios enfrentados pelos países na implementação de medidas de controle e a relação entre o combate ao comércio ilegal e a proteção da saúde pública.
  • Anelize Moreira, jornalista de monitoramento da indústria do tabaco da ACT, apresentará os principais grupos de interesses que atuam em defesa da agenda do setor e discutirá as estratégias de comunicação e os discursos adotados atualmente pelas empresas de tabaco, incluindo conceitos como redução de danos, produtos sem fumaça e inovação, cada vez mais presentes nas campanhas corporativas e nos debates regulatórios.
  • Pedro Nakamura, repórter do Joio, compartilhará os bastidores da investigação que revelou como empresas paraguaias ligadas ao contrabando de cigarros para o Brasil são abastecidas por tabaco produzido em território brasileiro, mostrando como cadeias produtivas, comércio internacional e mercado ilegal se conectam na prática.

Ao combinar formação, debate especializado e apoio a novas investigações, a oficina busca oferecer ferramentas para que jornalistas possam acompanhar criticamente um setor que segue influenciando políticas públicas, mercados e padrões de consumo em escala global.


Oficina

Além do cigarro: Por que ainda investigar a indústria do tabaco?

Data: 7 de julho
Horário: das 9h às 12h
Formato: online
Público: jornalistas, mediante inscrição e seleção
Inscrições: pelo formulário
Prazo para inscrição: 28 de junho
Microbolsas: duas bolsas de R$ 10 mil para investigações jornalísticas sobre tabaco, destinadas a pautas selecionadas entre as propostas inscritas pelos participantes

Navegue por tags